Os Fantasmas de Goya
Ao contrário do que o título indica, a personagem do pintor Goya apenas nos transporta pelos acontecimentos dos finais do séc. XVIII, em Espanha. O trabalho do pintor surge como um complemento aos vários avanços da história. Entre a intransigência da Inquisição espanhola e o despotismo das guerras napoleónicas, Goya, pintor bem sucedido e integrado na sociedade, tenta ajudar a salvar a filha de um amigo, presa pela Inquisição.
Ines surge como a verdadeira heroína que enfrenta a tortura, o cárcere e a loucura, sem nunca abdicar do homem a quem se entregara, ainda que para ser salva da prisão, e da filha de ambos.
Excelente retrato histórico, o filme de Milos Forman mexe com as emoções do espectador. Impossível não sentir medo, dor, piedade e até sorrir. A última cena é poderosa para além de muito bonita: apela e reforça a força da amizade, do amor, da loucura, da morte e da constante renovação do mundo... aconteça o que acontecer!
A não perder. Em cena.
2 Comments:
At 3:40 da tarde,
Anónimo said…
Poema dos olhos fechados
Estendido sobre o leito,
hirto, e de olhos fechados,
exactamente como se tivesse morrido,
fiquei à espera de uma coisa qualquer.
Silêncio.
Duas crianças riram, ali perto, num quintal,
e um homem deu um grito estrepitoso
para chamar alguém.
Estavam vivos
e não reparavam nisso.
Depois calaram-se.
E voltou o silêncio.
Um rumor brando,
vagamente sibilante
como um gás que se escoa sem ruído,
penetrou-me os ouvidos
e foi-se ocupando do cérebro, manhosamente,
como coisa sua,
nível após nível, milímetro a milímetro,
num alagamento insidioso
que tudo ocupa e tudo inutiliza.
Com os olhos cerrados
senti o rumor desdobrar-se em vozes íntimas,
ecos que o tempo decorrido dissipara,
vozes antigas, murmúrios carinhosos,
palavras sussurradas,
chamamentos de amor,
cicios como dedos que se passeiam nos lábios,
segredos,
balbucios,
delíquios e gemidos.
Tudo esperava por mim, e eu ali, de olhos cerrados,
estendido na cama,
hirto, como se tivesse morrido.
Continuei à espera
Agora eram acenos, mãos veladas
que me chamavam,
como se além de nós houvesse mais alguma coisa,
como se na paisagem esvaziada da morte
caber pudesse a memória de um sorriso,
aquele sorriso branco, profundamente interior,
que é suporte da vida
e dela o único bálsamo.
Permaneci esperando,
hirto, e de olhos fechados.
Esperei.
Esperei.
E como nada mais acontecesse
levantei-me, e fui fazer o pequeno almoço.
António GEDEÃO,
Novos Poemas Póstumos,1990,
Sá da Costa, pp 57-61.
At 3:42 da tarde,
Anónimo said…
Queria deixar-te um sorriso não-anónimo para dias menos doces...
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