Para entrar no espírito da época...
Este ano ando sem espírito natalício, o que em mim é coisa nunca vista. Ando a fazer um tratamento à base do que abaixo recomendo para ver se me curo, mas por enquanto não se vislumbra nem um ligeiro aroma a canela nesta alma "desnatalada". Enfim... melhores dias virão!
http://www.youtube.com/watch?v=7DhD-z-0yMI
2 Comments:
At 7:10 da tarde,
Anónimo said…
Na véspera
Na véspera de não partir nunca
Ao menos não há que arrumar malas
Nem que fazer planos em papel,
Com acompanhamento involuntário de esquecimentos,
Para o partir ainda livre do dia seguinte.
Não há que fazer nada
Na véspera de não partir nunca.
Grande sossego de já não haver sequer de que ter sossego!
Grande tranqüilidade a que nem sabe encolher ombros
Por isto tudo, ter pensado o tudo
É o ter chegado deliberadamente a nada.
Grande alegria de não ter precisão de ser alegre,
Como uma oportunidade virada do avesso.
Há quantas vezes vivo
A vida vegetativa do pensamento!
Todos os dias sine linea
Sossego, sim, sossego...
Grande tranqüilidade...
Que repouso, depois de tantas viagens, físicas e psíquicas!
Que prazer olhar para as malas fítando como para nada!
Dormita, alma, dormita!
Aproveita, dormita!
Dormita!
É pouco o tempo que tens! Dormita!
É a véspera de não partir nunca!
ÁLVARO DE CAMPOS
At 7:29 da tarde,
Anónimo said…
Ficar (Canção de Embalar)
Ah se eu pudesse não partir
Eu ficava aqui contigo
Se eu pudesse não querer descobrir
Ah se eu pudesse não escolher
Eu juro era este o meu abrigo
Se eu pudesse não saber que há mais
Mas como pode a Lua não querer o céu?
Como pode o Mar não querer o chão?
Como pode a Vontade acalmar o desejo?
Como posso eu ficar?
Ah se eu pudesse não partir
Eu ficava aqui contigo
Se eu pudesse não saber que há mais
Mas como pode a Lua não querer o céu?
Como pode o Mar não querer o chão?
Como pode a Vontade acalmar o desejo?
Como posso eu ficar?
Como posso eu ficar?
MARGARIDA PINTO, Apontamento, Lisbon City Records, 2005 [CD]
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