Coisas Doces

Nada melhor que um cartucho de coisas doces para adoçar a vida que, sendo adocicada, resvala por vezes para becos salgados, ácidos e até mesmo amargos.

sábado, novembro 12, 2005

Momentos doces de leitura!

Terminei há dias A Capital do grande Eça de Queirós e Valete de Copas e Dama de Espadas de Joanne Harris.
O meu regresso aos clássicos deve-se a uma enorme saudade que me deu do meu autor favorito, já desde os tempos da faculdade. Não há palavras para falar de uma das obras do grande génio, por isso deixo-vos alguns excertos:

A estação de Ovar, no caminho-de-ferro do Norte, estava muito silenciosa, pelas seis horas da tarde, antes da chegada do comboio do Porto. (...)
(...), entre as duas senhoras cheirando a rapé, fazendo à noite uma meia sonolenta, depois do terço rezado com a criada, (...)
(...) uma rapariga gordita e baixa, bonita, de robe-de-chambre escarlate e penteado alto; ao pé dela um indivíduo calvo, de cachaço fradesco, muita cor nas faces rechonchudas, um bigodito grisalho, via-a jantar, com uns olhinhos de ternura babosa, fazendo entre os dedos bolinhas de pão. (...)
- Então você plantava batatas no cemitério, homem?
- Então , porque não, Sr. Arturzinho? Mas lá o Sr. Alves, o da Câmara, começou a implicar. Disse que até era pecado. Pecado é tirar a um pobre o bocadinho do seu negócio. Ricas batatas; também lhe digo, não há terra de semeadura como isto. (...)

Quanto ao romance de Joanne Harris, um dos primeiros a ser escrito, embora tenha sido o último a ser publicado, revela-nos um mundo muito diferente daqueles a que a autora nos tinha já habituado. Numa história de mortos e vivos, somos levados à época vitoriana para desvendarmos os passados misteriosos de algumas personagens. Figuras que tentam compor o passado, construindo um presente perfeito, mas que percebem que nada pode ficar por resolver. É um universo quase gótico o mundo em que estas personagens se movem, mas o sensacionismo da escrita de Joanne mantem-se apurado. Uma história envolvente que prende a atenção e convida a horas seguidas de leitura.
 
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